Conteúdo de O que é o Signo Ascendente?

Para a compreensão do Signo Ascendente podemos primeiramente buscar imaginar uma volta ao útero e visualizar como se sentiria neste momento. Um período em que estaria dentro do oceano interior da vida, onde não há um sentido de indivíduo ou de uma identidade separada, nenhuma ideia de corpo como nós o percebemos hoje, onde há apenas a união com a mãe. O universo é o eu e o eu é o universo. Este pode ser um exercício interessante, no âmbito físico imagine que não haveria distinção entre você e o seu computador ou o local em que você está agora. Portanto, não haveria a separação clássica entre sujeito e objeto, mas, sim, uma interação total entre você e o Cosmos.

Com o nascimento ocorre a retirada deste sentido de totalidade oceânica, tendo como marco inicial o ato da primeira respiração, que consiste em um momento ímpar dentro da história de vida, e a partir daí desenrola-se uma série de fatores fisiológicos que se fecha em um círculo dentro do organismo humano; pois até este exato momento o feto não conseguia se perceber como um ser individual, fato que só ocorre quando “emerge” do ventre da mãe e passa a ter uma vida como indivíduo.

O nascimento individual é respirar, e “tomar” um corpo e proclamar o eu como um indivíduo único e distinto. Com base neste momento, a carta astrológica é desenhada e a viagem através das casas tem início.

A respiração consiste na primeira ação da existência “independente”. É a primeira afirmação do ser. A primeira casa de um mapa astrológico começa com o Ascendente, o símbolo do nascimento e do começo da atividade sobre o nosso planeta e, em geral, de todos os começos. O Ascendente mostra o grau exato do signo zodiacal que se está levantando no horizonte oriental na hora do nascimento e assim é proclamado o início da vida.

Na hora exata do nascimento são seladas as qualidades deste momento astrológico. O Signo Ascendente vem à luz e se distingue do que está “oculto” no ventre materno. Em outras palavras, o Ascendente surge quando nós nascemos e suas qualidades “tomam um corpo” na hora do nascimento.

É uma das doze faces do zodíaco da totalidade de vida e que procura uma identidade física através do ser nascido naquele momento. São as qualidades do signo que se encontram no Ascendente ou dos planetas que ali estão nesta casa astrológica.

Para melhor fixar este ponto, cabe aqui uma metáfora. Imagine que se fosse colocado em um indivíduo óculos de uma determinada cor, por exemplo, vermelho, ele iria perceber a vida com uma coloração vermelha; já se outro indivíduo usasse óculos de cor azul perceberia de outra forma. Então o Ascendente nada mais é que a lente através da qual percebemos a existência, o foco que trazemos à vida, a forma como se observa o mundo. E uma vez que vemos o mundo de uma maneira específica, provavelmente agiremos e nos comportaremos de acordo com esta nossa visão. Seguindo este raciocínio, a vida condiciona nossas expectativas e reflete nosso ponto de vista de volta para nós mesmos.

Podemos ainda dentro deste exemplo tirar outras conclusões. Se a forma pela qual percebemos o mundo (nossas lentes) irá condicionar (em maior intensidade para uns e menor para outros, dependendo do grau de evolução, ou seja de percepção de vida) tanto a maneira como nos relacionamos com o mundo quanto a maneira como ele nos é devolvido refletido, podemos então, de forma consciente ou inconsciente, dependendo da forma como vemos o mundo, das nossas experiências individuais, enfim, da nossa história de vida, eleger o que desejamos e queremos “enxergar” neste mundo.

O Ascendente, que é a primeira noção de vida que formamos ao nascer, nos descreve algo a respeito deste processo de escolha e seleção, refletindo a imagem básica que temos da vida, ele colore nossa visão de existência.

De maneira geral, o Ascendente e a primeira casa demonstram nossa relação com o próprio arquétipo de Iniciação e não nos mostra apenas o nascimento atual, mas também a forma e a maneira pela qual vamos buscar começar algo. São as próprias imagens inatas que temos quando vamos iniciar alguma atividade. Ele nos aconselha a forma e o modo pelo qual vamos iniciar algo na vida sempre que nos remetemos a uma experiência parecida a um nascimento. Cada vez que nos defrontamos em uma área desconhecida surgem as suas qualidades.

A nova ação traz consigo o “começo primordial”, através do qual traz à tona antigos começos, ressurgindo velhos procedimentos e associações similares. Portanto, o que ocorre é um eterno renascer e um refazer.

Em suma, cada nova experiência pode representar um novo começo. Todo indivíduo pode renascer a qualquer momento. Ele pode relacionar-se com o seu Universo de uma nova forma e de um modo exclusivo, ao seu próprio modo, este constitui ou pelo menos manifesta existencialmente a sua identidade e o que também significa a maneira pela qual ele está orientado no Universo.

O Ascendente descreve de que forma as suas “lentes” percebem o mundo e a maneira pela qual pode procurar estender seu campo visual em busca do retorno à grande totalidade; pois perceba que o indivíduo não é apenas o Ascendente e, sim, as doze casas, quanto maior for o campo de visão, tanto maior será o entendimento do que é a vida em sua grandeza.

Vale ressaltar que este é um texto introdutório, existem outras especificidades que somente são percebidas com o estudo da carta natal. Para a melhor compreensão de seu Signo Ascendente é necessário relacioná-lo com as posições dos planetas nas casas, aspectos entre os planetas, enfim às relações que permeiam a sua carta astrológica.