Conteúdo de Verão – Hemisfério Sul – Capricórnio, Aquário e Peixes

No tempo dos romanos e até ao século XVI, havia o Verão (a atual Primavera), o Estio (o atual Verão), o Outono e o Inverno.

A palavra Verão provém do latim vernum, com o significado de “tempo primaveril”, derivado de ver, veris, que significava Primavera. A expressão primo ver (que originou o termo Primavera) aplicava-se apenas ao começo da estação: primo + ver = o primeiro Verão atual Primavera), o princípio do Verão Primavera). Antigamente, a palavra Verão designava, portanto, o período correspondente a atual estação da Primavera. Ao Verão (ou seja, à Primavera atual), seguia-se o Estio (em latim, aestas). Hoje as palavras Verão e Estio são sinônimas referindo a estação do verão.

O verão é o ponto central do ano, época de abundância de alimentos produzidos durante a primavera. É mais um período de estabilidade em um local seguro. As comunidades se reúnem por afinidade e proximidade. O verão é o período de florescimento, onde os dias são mais longos. É a estação da expansão onde tudo atinge o seu ápice, o calor, a chuva, a colheita, as emoções, o clímax da expressão criativa. É o momento do crescimento e do progresso rápido. Nesse momento a Terra generosamente nutre os seus filhos. Simboliza a força do Sol do meio-dia, que irradia calor em todas as direções. A energia vital manifesta o seu auge e resplendor. Lembre-se que é o momento culminante da luz do Sol e também o início de seu declínio.

O verão do hemisfério norte é chamado de “verão boreal”, e o do hemisfério sul é chamado de “verão austral”. O “verão boreal” tem início com o solstício de verão do Hemisfério Norte que acontece cerca de 21 de junho, e termina com o equinócio de Outono nesse mesmo hemisfério, por volta de 23 de setembro. O “verão austral” tem início com o solstício de verão do Hemisfério Sul, que acontece cerca de 21 de dezembro, e finda com o equinócio de outono, por volta de 20 de março nesse mesmo hemisfério.

O termo “solstício” vem do Latim e é composto por duas palavras: sol (sol) e sistere (que não se mexe). Solstício significa, portanto, “sol parado”, uma vez que para o observador que está na Terra, o sol parece manter uma posição fixa ao nascer e ao se pôr, durante algum tempo. Solstícios acontecem duas vezes por ano, em junho e em dezembro, definindo as mudanças de estação. Em junho observamos o solstício de verão, que coincide com o início do verão no hemisfério norte. Já no hemisfério sul acontece ao mesmo tempo o solstício de inverno. Por volta de 21 de dezembro acontece o contrário: enquanto o hemisfério norte recebe o solstício de inverno, chega o solstício de verão ao hemisfério sul.

Nos tempos primitivos, era comum dividir o ano em cinco estações, sendo o verão dividido em duas partes: o verão propriamente dito, de tempo quente e chuvoso (geralmente começava no fim da primavera), e o estio, de tempo quente e seco palavra da qual deriva o termo “estiagem”. Atualmente usa-se o termo “estio” para um período de seca e também como um sinônimo para verão.

No Hemisfério Sul o Solstício de Verão ocorre por volta do dia 21 de dezembro e o Solstício de Inverno por volta do dia 21 de junho. Estas datas marcam o início das respectivas estações do ano neste Hemisfério. Já no Hemisfério Norte o fenômeno é simétrico, o Solstício de Verão ocorre em junho e o Solstício de Inverno ocorre em dezembro. Os momentos exatos dos Solstícios marcam a mudança de estação. Isto ocorre porque quando a Terra está mais próxima do Sol, periélio, viaja mais velozmente do que quando está mais longe, afélio, em conformidade com a segunda lei de Kepler.

Na antiguidade, as iniciações eram feitas sempre no solstício de Inverno, porque sendo o ultimo dia de maior noite, significava a marca do inicio do ciclo de dias de luz cada vez maiores, significava ainda a saída do mundo dos mortos, à noite, a escuridão, ou a entrada no mundo dos vivos, o dia, a luz. As iniciações tinham assim o significado de renascer ou nascer de novo para a Luz, o renascimento assume assim o significado simbólico da vida que se renova após a grande noite, a morte.

No Egito antigo, os Faraós eram reiniciados a cada novo Solstício de Inverno. As Pirâmides foram construídas em alinhamento para receber o Sol de frente à porta de entrada, exatamente no dia do Solstício de Inverno. Em diversas outras civilizações, as grandes obras de arquitetura foram construídas com este alinhamento e com este objetivo.

Os trópicos de Câncer e Capricórnio são definidos em função dos Solstícios. No Solstício de Verão do Hemisfério Sul, os raios solares incidem perpendicularmente à superfície da Terra no Trópico de Capricórnio. No solstício de verão do Hemisfério Norte ocorre o mesmo fenômeno no Trópico de Câncer

Em várias culturas ancestrais, o Solstício de Inverno era festejado com comemorações que deram origem a vários costumes hoje relacionados com o Natal das religiões pagãs. O Solstício de Inverno, o menor dia do ano, a partir de quando a duração do dia começa a crescer, simbolizava o início da vitória da luz sobre a escuridão. Festas das mitologias persas e hindus referenciavam as divindades de Mitra como um símbolo do Sol Vencedor, marcada pelo Solstício de Inverno. A cultura do Império Romano incorporou a comemoração dessa divindade através do Sol Invictus. Com o enfraquecimento das religiões pagãs, a data em que se comemoravam as festas do Sol Vencedor passaram a referenciar o Natal, numa apropriação destinada a incorporar as festividades de inúmeras comunidades recém convertidas ao cristianismo.

Os Ventos do Norte no verão nos convidam a passar mais tempo fora, para gozar o sol quente do verão, quando tudo no mundo natural floresce e exala o seu esplendor. O norte é relacionado ao rápido crescimento, florescimento e desenvolvimento. As pedras que brilham e esquentam ao sol e armazenam calor, os animais crescem rapidamente, há abundância do reino vegetal.

É um período também altamente reprodutivo, especialmente nas sociedades humanas. É mais fácil no verão extrair o sustento da natureza, sobra mais tempo nesta época para o relaxamento e as atividades mais íntimas. Igualmente é um período de identificação do indivíduo com as tradições e hábitos culturais da comunidade na qual tem origem. Uma expressão-chave para o verão pode ser “assentamento e garantia de vida”, pois o Sol está em seu ápice.

Com o calor mais intenso devido as grandes evaporações de águas que geram as chuvas, os animais devem buscar mais líquidos e muitas tradições espirituais associam o verão ao Elemento Água. No pensamento xamânico, assim como não devemos bloquear as águas de um rio, também não devemos bloquear as nossas emoções. Em suma, deixar fluir as emoções, pois as águas procuram contornar e seguir o seu caminho. Os ancestrais reconheciam a água como o aspecto feminino da Fonte da Vida, associada com a fertilidade. A Água é usada no xamanismo como um grande agente de cura. Ela dissolve e carrega impurezas. A água é a fonte da vida, a mãe de todas as coisas. O elemento Água afeta os desejos, é percebido através dos sentimentos e das emoções.

O verão é a estação para vivenciar relacionamentos e dar e receber amor em muitos sentidos, para explorar o amor e o mundo a sua volta, para explorar quem somos nós. O local do coração e das emoções. Excelente fase para curar nosso coração e aprender a amar, e a deixar de lado tudo o que não é amor (ódio, inveja, ciúme, raiva, etc).

Devido a sua fluidez, as emoções humanas estão ligadas com a água. Devemos saber que temos harmonia quando expressamos o nosso coração com fluidez através de nossas emoções. Existem pessoas que expressam as suas emoções pelo medo da vulnerabilidade e não expressam os verdadeiros sentimentos.

Tradições Espirituais no Verão

De acordo com os ensinamentos dos nativo-americanos, adaptado ao Hemisfério Sul, no verão vivenciamos o período da Direção Norte. Um misterioso poder de mudança e crescimento. O lugar para retornar à inocência e adquirir fé e confiança. Nessa direção nossa fé é testada e fortalecida. É a direção das emoções, dos sentimentos, da criança interior, das brincadeiras e jogos.

Quando não estamos equilibrados emocionalmente, quando sofremos por nossos sentimentos, quando duvidamos da nossa capacidade de dar e receber amor, quando falta fé no Criador e no Mundo a nossa volta, quando nos esquecemos de ser criança, quando não temos tempo para nos divertir, essa é a posição que devemos procurar. O verão é o momento para “queimarmos” ressentimentos antigos. Queimando, liberando coisas velhas para criar o espaço para coisas novas. Uma fase que indica o estabelecimento de novas metas, o crescimento de nossos projetos. É hora de buscar afastar-se de influencias antigas. A energia do verão inspira quem procura um novo amor e quem quer se curar de um amor antigo. O Espírito do Verão, chamado pelos nativos americanos de Shawnodese, carrega o poder do amor, do coração aberto. É o poder do crescimento.

O Verão é a estação dos relacionamentos em todos os níveis: na família, na relação homem e mulher, com os filhos, com os pais, com chefes, com subordinados, com fornecedores, com clientes, com companheiros de trabalho, vizinhos, amigos em geral. Fazendo a relação com o calendário do xamanismo celta para o Hemisfério Sul, é a estação de Litha. É o momento mais poderoso para o Deus-Sol.

Para os Pagãos contemporâneos, Litha é um momento de brilho, purificação e cura. É um tempo para meditar sobre os aspectos da luz e escuridão, tanto dentro de nós e no mundo que nos rodeia. Litha é também um momento de celebração ao ar livre e aproveitar o calor do sol e da beleza da natureza. Rituais e celebrações que envolvem fogueiras, música são comuns durante este tempo.

Litha é considerado o melhor tempo para colher ervas medicinais, pedidos de amor, prosperidade e cura. Ele também pode ser um tempo para meditar sobre o equilíbrio entre luz e trevas, tanto dentro de si e do mundo ao seu redor.

Segundo Mirella Faur, em Litha, a Deusa e o Deus vivem o êxtase da união, onde a natureza comemora com a beleza das flores e frutos. Festejava-se também a paternidade e a glorificação da Luz. Há o conceito que todas as coisas boas chegam das ” Quatro Direções Sagradas ” (norte, sul, leste, oeste) que contém todo o Universo.

O Criador colocou as quatro raças (brancos, vermelhos, amarelos e negros) em suas respectivas áreas, e aparece para cada povo de diferentes maneiras e caminhos para trazer beleza e harmonia. Todos os seres, sejam homens, animais, plantas, minerais, peixes, etc. possuem espírito. Percebe claramente a influencia de Aquário neste sentido, pois é o signo das amizades e da fraternidade. Tudo está ligado, conectado com a Alma do Mundo. Por entender que Deus está presente em toda a vida, honro ” Todas As Nossas Relações”. Estamos ligados com a Fonte de Vida do Universo. Cada partícula do nosso ser e de todos os seres pertence à Mãe-Terra e Pai Céu. Nós e todas as coisas, somos Sagrados.

No verão no hemisfério Sul temos os signos de Capricórnio com a “elevação da montanha” quando o signo que está na parte superior da mandala astrológica enquanto o seu ápice. O período de grandes iniciações que devem depois serem “distribuídas” por Aquário o aguadeiro e sendo esta mesma água que chega em Peixes para trazer ” a cura” tão desejada e a limpeza psíquica que foi começada em Capricórnio com a consciência individualizada trazendo estas boas “novas” para serem repartidas igualitariamente perante todos os irmãos.